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Compra com verba de projeto

Termo de referência para cluster HPC: roteiro comentado

O que escrever em cada parte do termo de referência para que a compra entregue o cluster que o projeto precisa, com o desempenho garantido em contrato.

Atualizado em 17 de outubro de 2026

Este roteiro cobre a parte técnica, que costuma ficar com o pesquisador. A forma final do documento, a modalidade de compra e as exigências aos fornecedores são definidas pelo setor de compras, pela fundação de apoio ou pela procuradoria da instituição.

Base legal, em uma linha cada

  • Órgãos e entidades sujeitos à Lei 14.133/2021. O art. 6º, inciso XXIII, define o termo de referência e lista o que ele deve conter, da definição do objeto à adequação orçamentária.
  • Fundações de apoio. Nas compras enquadradas no Decreto 8.241/2014, ligadas a projetos de ensino, pesquisa, extensão e inovação de universidades e instituições de ciência e tecnologia, vale o regulamento de aquisições previsto nesse decreto.

Nos dois casos, o conteúdo técnico sai do projeto de pesquisa. É ali que a compra acerta ou erra.

O erro mais caro: especificar só as peças

Um termo que pede apenas "N servidores com X núcleos e Y GB de memória" deixa de fora o que faz um cluster funcionar. Ficam sem descrição a rede entre os nós, o armazenamento compartilhado, o software configurado e o desempenho do conjunto.

A proposta mais barata que cumpre a lista vence, e o grupo descobre o que faltou depois da entrega. A saída é descrever também o resultado esperado e amarrar o aceite a ele.

Cada exigência precisa de justificativa técnica e de proporção com o projeto. O procedimento de medição tem de ser reproduzível e estar disponível a todos os concorrentes. Uma topologia ou um benchmark que só um fornecedor consegue cumprir também direciona a compra, mesmo sem citar marca.

Roteiro comentado

1. Objeto

Descreva uma "solução de computação de alto desempenho (cluster) instalada, configurada e testada". Assim o objeto inclui rede, armazenamento, software de gerência, instalação, testes de aceite, treinamento e garantia.

2. Justificativa

Ligue a compra ao projeto aprovado: códigos usados, tamanho dos problemas, número de pesquisadores e o limite do equipamento atual. Uma medição do código no equipamento atual dá força à justificativa.

3. Nós de computação

Núcleos e memória por nó a partir da carga, com a memória por núcleo explícita. Peça todos os canais de memória ocupados: canal vazio reduz a banda e passa despercebido numa lista simples.

4. Rede

Separe a rede de comunicação entre nós da rede de gerência. Para a primeira, descreva latência, banda mínima e topologia, sem exigir marca. O guia de rede ajuda a decidir o que pedir.

5. Armazenamento

Peça capacidade útil, já descontada a redundância, desempenho de leitura e escrita medido com um teste definido e a política de cópia de segurança.

6. Software

Liste o sistema operacional, o gerenciador de filas, compiladores, MPI, bibliotecas numéricas e os códigos do grupo que devem chegar instalados e testados. Indique quais licenças a instituição fornece.

7. Critério de aceite

É o ponto central. Descreva o caso de teste do código, a meta de desempenho, a conferência do resultado, os testes padrão (HPL, STREAM, OSU e IOR) e o que acontece se a meta não for atingida. O guia de aceite por benchmark detalha cada item.

8. Local de instalação

Informe a potência elétrica disponível, a refrigeração, o no-break e o espaço em rack. Se a sala não comporta o cluster, a compra precisa prever a adequação ou a hospedagem em data center.

9. Garantia e suporte

Defina o prazo de garantia, o tempo de atendimento, a troca de peças no local e quem cuida do software depois da entrega. Garantia só de hardware deixa o grupo sem ajuda no primeiro problema de fila ou de biblioteca.

10. Treinamento e documentação

Treinamento para usuários e para quem administra, com documentação em português: como enviar tarefas, onde gravar dados e como pedir ajuda.

Anexos que ajudam

  • Caso de teste do código, com instruções de execução.
  • Resultado da medição no equipamento atual.
  • Planta ou fotos da sala, com o quadro elétrico e a refrigeração.
  • Orçamentos de referência de mais de um fornecedor, quando a instituição pedir.

Quando a instituição pede, fornecemos informações técnicas e orçamento de referência. A redação do termo e a condução da compra ficam com ela.

Perguntas frequentes

Posso exigir uma marca no termo de referência?

Em regra, a especificação deve descrever desempenho e características, sem direcionar marca. A indicação de marca é exceção e precisa de justificativa técnica. Confirme com o setor de compras ou a procuradoria da instituição.

Quem escreve o termo de referência?

A instituição, em geral o pesquisador responsável junto com o setor de compras ou a fundação de apoio. Fornecedores podem enviar informações técnicas e orçamentos de referência; a redação do termo e a condução da compra ficam com a instituição.